sexta-feira, 12 de julho de 2013

Saudade

Intangível, inefável, indescritível, até que se sente. Saudade, que pode ser nome de espada, em uma aventura, que pode ser a falta que faz alguém ou algo que se ama. Todos os dias serão mais pesados,
ao se andar com o sentimento preso aos tornozelos. Mas é peso que torna mais fortes o coração, os músculos, a alma.

Inspiração, insight, inconformidade, até que se escreve. Saudade, que pode ser nome de lagoa, que pode
ser palavra jogada ao vento, para provocar reencontro ou cumprir protocolo. Todas as noites serão mais
leves, ao se andar com o coração solto, por lembrar dos bons momentos que a deixaram florescer.

Insípida, incolor, inodora. Saudade, que pode ser a vontade de estar de volta a um lugar familiar, que pode ser satisfeita com atitude. Todos os meses serão paliativos, ao se esperar que ela passe, ou que haja conforto aos que esperam, nela mesma.

Obrigado meu amigo, por hoje eu retomar o que estava adormecido, e as letras fluírem para chegar até você, onde quer que esteja. Mesmo que não lhe tenham ensinado a ler, escrever ou a falar, por sua natureza, havia muito em seu olhar e seus movimentos.

A Spyke

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ao seu próprio ritmo

       Sem pressa, com seu compasso, a vida passeia por nós ao seu próprio capricho. Dotada de organismos conscientes a regular seus ciclos, a circular rumo a encontros, desencontros e reencontros. São as pessoas as células desses organismos, é a imaginação, é o sentimento seu tecido. Seu coração pulsante é a ressonância de tudo que agimos, decidimos e realizamos por tentar ditar seu ritmo. Nossas vozes sua trilha sonora, nosso silêncio sua poesia.

       Se a vida pensasse, não saberíamos como ler esses pensamentos. Essa vida não pensa em nós, apenas nos arrastamos em seu magnetismo, atraindo e afastando-nos uns aos outros. As areias do tempo formam o grande deserto onde está enterrado o sentido de tudo isso, e como gatos com caixas desses grãos, movemos pequenas porções com nossos membros limitados. Alguns encontram areia movediça entre as formas desse deserto, e as memórias de tempos melhores são as cordas que os resgatam à superfície segura que é a felicidade: um oásis.

       Ao ritmo de nossos passos se encaixa um arranjo intrincado, que é som da vida seguindo como sinfonia de gênio, cheia de tons inesperados, despertando o agradável sentimento de surpresa. Ficamos para trás e não queremos a alcançar, pois nunca para até que ecoe de volta.
As palavras se dissolvem no silêncio geral, mas ecoam na mente.  (Érico Verísssimo)